Breve resumo da história do futebol amador e do Guanabara F.C.
O Guanabara Futebol Clube foi fundado no ano de 1966 na zona da Carvalhosa, na cidade do Porto e chegou a disputar, durante algumas épocas, o Campeonato Distrital de Futebol Amador da A.F. Porto.

Já nos anos vinte do século passado, na cidade do Porto, existiam muitos (mas bem modestos) clubes de futebol amador (chamado de futebol popular), sem meios nem campo próprio, mas com grande entusiasmo e sacrifício, lá conseguiam juntar uns "patacos" e alugar campo para efectuarem jogos entre si. Outros clubes, mais modestos ainda, realizavam jogos em terrenos baldios que não tivessem muitas pedras nem grandes declives.

Eram, essencialmente, clubes organizados em bairros populares, vulgo "ilhas".

Alguns desses clubes acabaram por se organizar e criaram, em 1927, a Liga Invicta que teve tal êxito e adesão (dezenas de participantes) que a Associação Distrital de Futebol acabou por aceitá-los no seu seio em 1933, mas impondo que os mesmos possuíssem sede e os atletas fossem alvo de verificações médicas.

Assim, foram organizados campeonatos até 1937, ano em que aquela Associação dá por finda a sua "má experência".

Três anos depois (1940) o Jornal de Notícias decide organizar o Campeonato Popular do Porto e supomos que terá sido nesta época que terá surgido, pela 1ª vez, o F.C. da Carvalhosa.

Este campeonato teve apenas 3 edições, já que as restrições impostas pelas "entidades oficiais" eram de tal ordem que o campeonato foi suspenso.

Na década de 50, pela "batuta" de António Pinto, que mais tarde foi um dos fundadores do Ultramarino F.C., é criada uma "escolinha" de jovens jogadores (foto), alguns dos quais criam mais tarde o Marinhos F.C. (do Bairro dos Marinhos), único clube da zona da carvalhosa que, à época, praticava futebol (e bom), e utilizava um terreno por detrás do Cemitério de Agramonte como campo principal, sendo os treinos realizados no terreno que existia à frente dos portões da Igreja de Cedofeita inacabada.
Iniciadas as obras de conclusão, as famosas "peladinhas", passaram a utilizar o alcatroado junto à igreja românica, cujo piso era mais adequado aos "driblings" artísticos tão característicos daquela rapaziada, mas que a "bófia", pelos vistos, destestava.
Esses treinos eram realizados às escondidas da polícia, como era habitual naqueles tempos e, como equipamento, era utilizada a roupa e o calçado do dia-a-dia, facto muito do agrado dos sapateiros da zona.
Desta gesta de jovens futebolistas saíram alguns dos "craques" que, mais tarde, vieram a a integrar os plantéis, do Guanabara e do Ultramarino F.C., entre outros.

Mas, em 1964, a A.F. Porto com o apoio do JN, criou o Campeonato Distrital de Amadores que contou com a participação de 32 equipes na 1ª prova, chegando mais tarde a ter mais de 100 participantes por época.

Os clubes que disputaram esse primeiro campeonato, cujo vencedor foi a Associação Recreativa de S. Martinho, foram os seguintes:



Tratava-se agora, essencialmente, de clubes populares e de fim-de-semana, com "sedes" em cafés.

Em 1 de Setembro de 1966, na zona da Carvalhosa, na cidade do Porto, é fundado o Guanabara F.C. por um grupo de amigos que frequentavam o Café Guanabara, situado na Rua de Oliveira Monteiro, perto da Rua da Boavista.
Esse pequeno grupo seria formado, segundo julgo, pelos seguintes elementos:
- Alberto dos Santos Moreira (já falecido);
- Joaquim António Brochado da Costa;
- Albano dos Santos Diogo;
- António da Cunha Botelho.

Alberto dos Santos Moreira foi o primeiro Presidente do Clube e era uma pessoa eclética, já que inscrevia os atletas na A.F.P., tratava dos equipamentos e de todos os aspectos burocráticos referentes à participação do Clube no Campeonato Distrital de Amadores.

Algum tempo depois, ali bem perto, é re-fundado o F.C. da Carvalhosa por um grupo de amigos também, mas que frequentavam o Café Diu, na Rua da Boavista.

Este F.C. da Carvalhosa nunca chegou a inscrever-se na A.F. Porto e, portanto, nunca chegou a disputar o Campeonato Distrital de Amadores, limitando-se a realizar jogos particulares, nomeadamente com o seu rival e vizinho, Guanabara (autênticos derbys locais) até que na época de 1968/69 o Guanabara F.C., mais bem organizado, se inscreve na A.F. Porto e passa a disputar o Campeonato Distrital de Futebol Amador.

Houve então necessidade de criar, oficialmente, os órgãos sociais do Clube, cuja composição foi publicada no JN.
Terá havido, então, uma Assembleia Geral para o efeito, mas que se terá cingido a uma conversa de meia dúzia de elementos à mesa do café que, sendo a um Sábado, dia em que o café Guanabara se encontrava normalmente repleto de trabalhadores-estudantes que para ali iam "rever alguma matéria", poder-se-à afirmar, com toda a propriedade, que a Assembleia Geral teve assinalável participação.

Entretanto o F.C. da Carvalhosa cessa a sua actividade, e a maioria dos seus "craques" são transferidos para o rival Guanabara e, ao que consta, nem todos terão sido a custo zero, já que alguns terão exigido uma caneca de cerveja e um pratinho de tremoços para assinarem por esse Clube.

Ali na zona (Rua da Torrinha) existia já um clube do género (Ultramarino F.C.), fundado por amigos frequentadores do Café com o mesmo nome e que se inscreve na A.F. do Porto na época de 1967/68, iniciando a sua participação no Campeonato Distrital de Amadores a parir da sua 3ª edição.

Cartão de atleta inscrito na A.F.P. de um dos funda-
dores do Guanabara F.C. e seu sócio nº1 - Albano dos
Santos Diogo.

O Guanabara F.C. inscreve-se na época seguinte e a zona da Carvalhosa passa a estar representada por dois clubes no Campeonato de Amadores (o Ultramarino e o Guanabara) que, obviamente, se tornam grandes rivais.

O plantel do Guanabara era muito inconstante e frequentemente se apresentava a jogo com um "onze" incompleto, ou integrado por elementos das equipas B e C. e, algumas vezes, até da equipa D! Não porque grassassem as lesões, mas porque alguns atletas (os "craques") primavam pela ausência caso o dia se apresentasse tempestuoso ou se houvesse jogo importante nas Antas ou, até, "porque o adversário era fraquito".
No entanto, quando se tratava de enfrentar o rival Ultramarino F.C., chegavam a aparecer jogadores suficientes para formar dois "onzes" completos!

O Guanabara F.C. disputou aquele campeonato durante 4 ou 5 épocas, após o que também cessou a sua actividade, desfecho que já era esperado, não só pela constante chamada à guerra de África da maioria dos seus atletas, mas sobretudo, por se tratar de um Clube "sui generis", onde não havia treinador, não havia banco (era pobrezinho) e, por vezes, não havia jogadores.

A sua sede situava-se, oficialmente, num prédio devoluto da Rua de Cedofeita, pertencente a uma qualquer instituição religiosa (julgo eu) e no qual só era possível aceder à respectiva caixa de correio para recolha de correspondência.



Na sua curta existência o Guanabara Futebol Clube conquistou algumas taças em torneios particulares e a Taça de Disciplina da Associação de Futebol do Porto (foto ao lado).

Mais tarde, um outro grupo de amigos daquela zona resolve retomar a actividade do F.C. da Carvalhosa, dotando-o de uma Direcção empenhada e dinâmica que cria a sua sede em instalações alugadas na Rua Barão de Forrester e inscreve o Clube na A.F. Porto passando, também, a disputar o Campeonato Distrital de Futebol Amador, sendo, actualmente, o único representante da zona da Carvalhosa naquela competição.



(AM - Setembro/2013)
Fontes:
- http://futebol-amador-com-historia.blogspot.pt/2007/06/196667.html
- http://futebolamador-victor.blogspot.pt/2010/09/amadores-campeonato-da-af-do-porto.html
- outras